Dados do Trabalho


Título

Trombo de apêndice atrial direito em paciente multicomórbido: relato de caso frente a complexidade terapêutica.

Introdução

Fenômenos tromboembólicos secundários a fibrilação atrial são a principal preocupação no contexto de prevenção de eventos emboligênicos. A presença de trombos no apêndice atrial esquerdo corresponde a 90% destes. O ecocardiograma transesofágico é o método de escolha para diagnóstico e decisão terapêutica, visando a anticoagulação para minimizar os riscos tromboembólico.

Já os trombos no átrio ou apêndice atrial direitos são menos comuns, o que não torna este diagnóstico menos relevante. A prevalência e complicações não estão bem relatadas. Porém, sabe-se que a embolia pulmonar e o acidente vascular encefálico criptogênico (devido a presença de forame oval patente) podem ser secundários a tal fenômeno. 

Fator importante que aumenta o risco emboligênico é o uso de dispositivos centrais, como acessos venosos de longa permanência para diálise.

Contudo, a decisão pela anticoagulação torna-se mais complexa diante de casos de início desconhecido de fibrilação atrial, pacientes idosos, multicomórbidos, com histórico de sangramentos graves.

Descrição do Caso

Paciente JOC, 78 anos, masculino, com hipertensão arterial sistêmica, fibrilação atrial paroxística, insuficiência cardíaca, doença renal crônica dialítica, infarto agudo do miocárdio prévio e um acidente vascular encefálico hemorrágico aneurismático há 13 anos. 

Internado por infecção de corrente sanguínea relacionado ao dispositivo de longa duração para hemodiálise. Por tal motivo, foi realizado um ecocardiograma transesofágico, com achado de imagem pedunculada, ecogênica, medindo 1,9 cm x 1,2 cm, em topografia de apêndice atrial direito, podendo corresponder a trombo (Figura 1).


 
Figura 1 - Imagem pedunculada ecogênica podendo corresponder à trombo.

 

Hipótese(s) Diagnóstica(s)

Trombo em apêndice atrial direito.

Conduta(s) Adotada(s)

Considerando a fibrilação atrial já com indicação prévia de anticoagulação, somado ao trombo em apêndice atrial direito, foram apreciados os riscos e benefícios da anticoagulação. Em conjunto com cardiologia, neurologia e nefrologia, optou-se pela prescrição de Apixabana 2,5 mg duas vezes ao dia e seguimento ambulatorial.

Conclusões

Trombos no apêndice atrial direito são pouco frequentes. Porém, sua existência deve ser considerada em paciente com fibrilação atrial, ainda mais nos indivíduos com dispositivos venosos.

Nestes casos, a decisão de anticoagulação deve ser individualizada respeitando os riscos e benefícios de cada paciente, já que não há até o momento técnicas para oclusão do apêndice atrial direito.

Palavras chave

Fibrilação Atrial; Tromboembolia; Átrio Direito; Anticoagulantes.

Área

Tema Livre

Instituições

Hospital Militar de Área de São Paulo - São Paulo - Brasil

Autores

JOAO MARCOS DE MENEZES ZANATTA, KENIA MARQUES NOVATO, JOAO VICTOR FARIAS OLIVEIRA, LUCAS BEARZOTTI POMPEU, LEONARDO GIGLIO DRAGONE, RENATO CUNHA PENA